Uma boa dica para criar um visual interessante é usar o chapéu combinado com alguma flor. Esse visual está muito relacionado tanto à estética retrô, quanto à chapelaria. Era muito comum em ilustrações pin up e também no look de atrizes de Hollywood, como Audrey Hepburn, além de mulheres comuns que se vestiam de acordo com a moda.
Audrey Hepburn usando o chapéu com flores
Esse conceito começou por causa de uma peça interna do chapéu, o bandeaux (que também já recebeu outros nomes). Ele era uma espécie de tiara, uma tira firme que ajudava a prender o chapéu na cabeça. Muitas vezes, era nele que se prendia o hat pin. Essa era uma forma de usar o hat pin de forma discreta. Muitas das vezes, o bandeaux ficava aparente, principalmente quando o chapéu tinha um ângulo mais inclinado. Para disfarçar e cobrir o bandeaux, os chapeleiros costumavam aplicar flores nele, e por isso as flores ficavam por baixo do chapéu, junto à cabeça. Essa técnica já era usada na era vitoriana, e ainda é usada até hoje. A princesa Kate Middleton costuma usar muitos modelos de chapéu nesse estilo.
Kate Middleton costuma usar modelos de chapéus com flores no bandeaux
É claro que essa estética da flor na parte interna do chapéu também passou a existir de outras formas: aliando o chapéu a uma flor, sem que isso tivesse alguma relação com alguma parte interna do chapéu, como o bandeaux. Era comum o uso da flor juntamente com o chapéu entre os anos 30 e 40, como na foto de Audrey Hepburn nesse post.
O estilo dos anos 50 foi uma continuação dos anos 40, e do
período pós guerra, em especial. Na época da Segunda Guerra, as mulheres usavam
chapéus para ter mais variações de guarda roupas, para manter o ânimo durante o
conflito e também para cobrir o cabelo sujo.
No início dos anos 50, ainda se segue as tendências da década
anterior, em especial do final dela. Mas é nessa época que começa a acontecer
também algo curioso e pouco explicado ainda hoje por estudiosos: o uso do
chapéu começa a decair. A verdade é que, ao poucos, depois da Segunda Guerra
Mundial, o chapéu foi perdendo sua importância e papel social, e seu uso foi
decaindo. Nos anos 50, já existia uma tendência entre as gerações mais jovens
de não usar o chapéu. Especialmente para quem tinha menos de 20 anos de idade.
Tanto nessa década quanto nas seguintes, ele seria mais usado pelas classes
mais altas, que consumiam moda de alta costura. E também deixado cada vez mais
para ocasiões especiais.
Mulheres mais jovens, e de classes mais baixas (ou classe
trabalhadora) evitavam o uso de chapéus, exceto para ir à igreja ou fazer
compras, assim como também as que seguiam tendências mais modernas de moda. As
mulheres que continuavam a usar chapéus eram geralmente mais maduras e mais
ricas, vivam em grandes centros urbanos ou tinham posição de status social.
Apesar de o uso dos chapéus ter decaído a partir da década de
50, e também de serem frequentemente deixados para ocasiões especiais, os
modelos usados nessa época continuam sendo usados ainda nos dias de hoje.
A tendência de penteados bufantes no final da década também
contribuiu para a queda do uso de chapéus. Em 1958, foi registrada uma queda de
37% nas vendas de chapéus nos EUA. Alguns modelos de copa grande conseguiram se
manter em alta, por poderem ser usados com penteados bufantes, como o Lampshade Hat, e o Cloche quadrado usado já nos anos 30 e 40, inspirado no Bonnet vitoriano e também chamado de Bucket ou Peach Basket. Esses modelos continuariam em alta também nos anos 60
(mas não teriam o mesmo sucesso com as gerações jovens).
O cloche e outros modelos que acomodavam penteados bufantes foram favorecidos no final da década
Continuavam populares nos anos 50, especialmente no início da
década, chapéus de tamanho pequeno, como o Mini Pillbox e outras versões desse chapéu, e também outros modelos
pequenos, como o Half Hat, o Calot, o que seria chamado no Brasil de
Casquete (o nome só existe no Brasil, e se refere a um chapéu pequeno e sem
abas, frequentemente chamado em outros países de Cocktail Hat).
Modelos pequenos continuavam populares
Apesar dessa popularidade dos tamanhos pequenos, os chapéus
de abas largas também ressurgiram ao final dos anos 40, juntamente com o New Look. E assim, modelos como o Cartwheel e o Mushrooom Hat voltam a se destacar, e ganham fôlego a partir de
meados dos anos 50. Estes chapéus se tornam ícone de estilo e elegância, assim
como chapéus que imitavam formatos de pratos.
Os chapéus eram feitos de palha, feltro, veludo, telas, renda
e cetim. Alguns modelos de inverno também eram feitos com pele. Eram usados nas
mais variadas cores, e combinados com a mesma cor da roupa.As penas eram muito usadas para os enfeites.
Outros enfeites comuns eram contas, laços, flores e voilettes. Os chapéus e
acessórios eram presos com elásticos, pentes e presilhas.
Diferentes chapéus de veludo para mulheres maduras
Pillbox
Assim, como na década anterior, o pillbox continua sendo um sucesso. Os tamanhos mini continuam muito
em alta, mas versões de tamanho compatível ao tamanho da cabeça (assim como nos
anos 30 e 60) também são muito comuns. Alguns deles ganham alguns centímetros a
mais na copa, que aparece um pouco mais alta.
O Pillbox era muito popular em tamanhos mini
A popularidade do pillbox
cresceu tanto, que ele continuaria sendo usado na década seguinte, transformado
em ícone de estilo graças a Jackeline Kennedy.
O pillbox muitas
vezes era usado com o Tailleur (terninho feminino popularizado por Coco
Chanel), e essa combinação era sinônimo de elegância.
O Pillbox costumava ser usado com tailleur, e era sinônimo de elegância.
Alguns modelos eram simples e sem enfeites. Outros eram
enfeitados com contas flores, franjas, drapeados, frutinhas e enfeites
delicados. Muitos deles possuíam voilettes.
Os modelos de Pillbox eram comumente enfeitados com pregas e drapeados. Muitas vezes possuíam voilette.
Um uso curioso desse modelo de chapéu, em meados da década,
era um mini pillbox, usado na parte
de trás, cobrindo o coque, geralmente com um lenço amarrado que caía na direção
dos ombros. Seguindo essa mesma tendência, também se usava lenços no lugar
desse mini pillbox, assim como
pequenos acessórios semelhantes feitos de crochê ou de tecido. Esse acessório
era chamado de Chignon Cap.
O Chignon Cap era um "falso" mini pillbox, usado na parte de trás do cabelo para cobrir o coque
As Boinas
Assim como nas décadas anteriores, as boinas continuam em
alta: Beret e Tam Hat. Usadas desde os anos 20, agora elas possuíam um
diferencial: algumas vezes eram enfeitadas com contas, pérolas e miçangas, ou
mesmo tinham alguns enfeites simples de cores contrastantes (como tiras,
tranças e laços).
Os modelos de Beret e Tam Hat muitas vezes eram enfeitados com laços. Alguns eram bordados com pérolas ou miçangas.
A partir da metade da década, até o fim dos anos 50, as
boinas vão perdendo a popularidade.
Cloche
O cloche ainda era
usado nos anos 40, mas já não fazia o mesmo sucesso. Já havia modelos mais
quadrados, inspirados em modelos de bonnet
vitoriano. Em 1953, Christian Dior decide fazer um revival do cloche,
trazendo esse modelo quadrado, que lembrava muito pouco do modelo original dos
anos 20. A copa era mais profunda, e adicionava alguns centímetros à altura da
cabeça. Além disso, não era tão justa na cabeça.
Esse modelo quadrado de cloche
muitas vezes era também chamado de bucket
ou de Peach Basket. Eles eram
vendidos em uma variedade de tons pastéis coloridos (candy colors). Feitos de
feltro, veludo, ou mesmo com textura de peles. Os enfeites eram minimalistas,
como uma tira de fita com um broche, por exemplo. Os primeiros modelos, muitas
vezes tinham a copa um pouco mais arredondada, com abas curtas. Os posteriores
tendiam cada vez mais a uma copa mais achatada e angulosa.
Também chamado de bucket, o cloche dos anos 50 tinha um formato mais quadrado, diferente dos usados nos anos 20
Com a moda dos penteados bufantes do final dos anos 50, o cloche, que acomodava penteados altos,
teve o uso favorecido.
A moda dos penteados bufantes favoreceu o cloche e outros modelos que acomodavam penteados altos.
Turbantes
Usados desde os anos 20 e 30, o turbante continua uma
tendência, em especial os chapéus com esse formato. O uso de lenços com essas
amarrações se torna menos comum do que o uso de chapéus (ambos muito usados nos
anos 30 e 40). Eram usados à noite, e geralmente feitos de veludo ou cetim.
Muitas dobras e pregas torcidas no topo davam um ar elegante e dramático. A
decoração se tornou simples e minimalista, se resumindo a pregas, ou com um
broche de pedras no topo. O estilo desses turbantes influenciou outros modelos
de chapéus, e muitas dessas pregas também eram vistas em outros chapéus.
O turbante dos anos 50 era cheio de pregas e dobras, e frequentemente enfeitado com um broche
Chapéus pequenos: Juliet Cap ou Calot, Casquetes e Half Hats
Seguindo as tendências da década anterior, diferentes modelos
de chapéus pequenos faziam sucesso. Em especial, o calot, o half hat e
modelos que seriam conhecidos no Brasil como casquetes (chapéus pequenos e sem
abas, geralmente chamados em outros países de cocktail hats), além de caps
em geral.
Diferentes modelos de chapéus pequenos faziam sucesso
O Calot, já usado
desde os anos 20 e 30, passa a ser usado em um estilo mais “Julieta” (esse
modelo também é conhecido como “Juliet
Cap”), ou um estilo mais “italiano” como também era chamado. Costumava
ficar na parte de trás da cabeça, cobrindo boa parte dela. Vem daí o nome
“coquinho”, como ficou conhecido no Brasil. É o estilo usado por Audrey Hepburn
no filme “Sabrina”. Muitas vezes, o modelo que cobria a maior parte da cabeça também era chamado de Helmet. Frequentemente, os caps possuíam voilettes, que buscavam atrair
a atenção para os olhos, muito mais do que cobri-los. Eram encontrados em
diferentes cores.
Diferentes modelos de caps eram muito populares
Audrey Hepburn usando o Juliet cap no filme "Sabrina"
O Juliet Cap dos anos 50 costumava ficar na parte de trás da cabeça, e era encontrado em praticamente todas as cores
Um modelo interessante de cap,
ou chapéu pequeno, emblemático dos anos 50, foi o Circle Hat. Era um chapéu em forma de círculo, criado por Lilly
Darché em 1953, que muitas vezes consistia em uma sobreposição de vários
círculos de tecido ou feltro.
O Circle Hat consistia em uma sobreposição de vários círculos de tecido
O Half Hat, que
significa “meio chapéu”, foi um modelo que, como o nome diz, cobria meia
cabeça. Ou menos. Alguns modelos de Half
hats ou similares também chegaram a ser chamados de Bandeau, e tinham um formato semelhante a uma tiara. Esses modelos
também eram chamados de beaucoiffs ou
whimsies. Eram modelos leves e não
incomodavam a quem usava. Um outro modelo comum dentre esses tipos de chapéus
pequenos era o Crescent Hat, muito
semelhante ao Half Hat, com um
formato semelhante ao da lua crescente.
Diferentes modelos de half hats, crescents e caps eram populares. A maioria possuía voilette.
Alguns modelos de Half Hats pareciam tiaras e também eram chamados de Whimsies, ou mesmo Bandeau
O Crescent era muito semelhante ao Half Hat e tinha formato de lua crescente
Era comum ver esses diferentes modelos de chapéus pequenos cobertos
de penas, o que dava a impressão de pequenas perucas sobre o cabelo de quem os
usava. Muitos modelos eram decorados com flores (às vezes muitas flores, e até
cobertos delas), mesmo durante o inverno. Essa tendência surgiu a partir da
coroação da rainha Elizabeth II, em 1954. Era muito comum ver diferentes
modelos de caps decorados
inteiramente com flores.
Chapéus pequenos decorados com penas davam a impressão de pequenas perucas
Muitos modelos de chapéus pequenos eram decorados com flores
Cartwheel
No final dos anos 40, período pós guerra, o Cartwheel tem um revival promovido por Christian Dior, e aparece associado ao estilo
New Look, passando a ser um símbolo
de elegância. O New Look foi
referência e influenciou a moda de toda a década de 1950. Na maioria das vezes,
por questões práticas, esse modelo foi adaptado e teve as abas reduzidas para
facilitar o dia a dia das mulheres que o usavam. Eram decorados de forma
simples com fitas e laços.
O Cartwheel foi símbolo do New Look
Eram feitos de feltro, palha, tela, renda, seda e outros
materiais. Eles eram muito úteis para proteger o rosto do sol. Por isso, muitos
dos modelos feitos em palha passaram a ser conhecidos também pelo nome de Sun Hats. Muitas vezes possuíam uma copa
bem rasa. Normalmente os modelos feitos de palha eram usados em cores como
preto, vermelho, amarelo, azul e branco. Quase nunca na cor natural da palha.
Sempre combinados com a cor da roupa.
Por proteger o rosto do sol, o Cartwheel muitas vezes acabou conhecido pelo nome de Sun Hat
Outros chapéus de aba larga: Mushroom, Lampshade e formatos
de prato
O New Look de Christian Dior não só promoveu um revival do Cartwheel, como também do Mushroom,
o chapéu com formato de cogumelo. O modelo que ficou conhecido como o “Mushroom do New Look” era bem diferente dos outros chapéus de formato de
cogumelo usados nos século XX e nos anos 20. Era realmente grande e de abas
largas.
Modelo dos anos 50, que ficou conhecido como "Mushroom do New Look"
Audrey Hepburn usando o Mushroom Hat
Nessa década, também surgiram modelos de chapéus inspirados em
pratos, e.... Também com nomes de pratos: Plate,
Platter, Saucer, como eram chamados, eram chapéus semelhantes a uma espécie
de pillbox gigante, mas raso (um
chapéu de formato circular, de copa quadrada e sem abas, mas com profundidade
pequena), e muitas vezes eram confundidos com o Mushroom ou mesmo chamados por esse nome. Lembravam pratos rasos,
pratos fundos ou tamborins, com o topo da copa achatado e reto. Havia modelos
de vários tamanhos, desde os pequenos, pouco maiores do que a cabeça, a tamanho
realmente grandes, que pareciam chapéus de abas largas. O tamanho foi crescendo
ao longo dos anos.
Alguns chapéus em formato de prato pareciam tamborins, e lembravam pillbox em tamanho grande
Alguns modelos eram grandes, de abas largas, e muitas vezes confundidos com o chapéu Mushroom.
Os enfeites desses modelos de prato variavam: podiam ser
discretos, simples e minimalistas, ou chamativos. Os modelos chamativos eram
decorados com pregas e babados, além de camadas de penas. Alguns traziam
enfeites de broches.
O outro modelo também, erroneamente, chamado de chapéu de
prato era o que ficou conhecido como Coolie,Coolier, ou Sedge Hat. Inspirado no chapéu de
agricultores vietnamitas, é um chapéu cônico de origem asiática. Também se
tornou popular nos anos 50, e geralmente era usado com voilette. Anos depois, o
termo “coolie” foi considerado pejorativo e racista. O melhor então seria
chamar de algum termo menos ofensivo, como Sedge
Hat, ou mesmo chapéu cônico ou chapéu vietnamita.
Popularizado nos anos 50, o Sedge Hat é um chapéu de origem vietnamita
Outro símbolo do New Look foi o Lampshade Hat. É um modelo de chapéu que se parece com uma
luminária ou abajour, lembrando um
cone, mas com o topo da copa reto. Lembra tanto o modelo pillbox quanto o modelo Peach
Basket, também conhecido como bucket
(em português, "balde"). Algumas vezes, o termo lampshade também já foi usado erroneamente para descrever os
modelos Sedge Hat e Mushroom.
Audrey Hepburn usando o Lampshade Hat
No início, o Lampshade
foi visto com estranheza, mas ao longo da década, ele fez muito sucesso e se
consolidou, e por volta de 1956, passou a fazer mais sucesso do que o Mushroom tradicional. Ele continuou
sendo muito usado também ao longo dos anos 60. Esse modelo aparecia tanto nas
versões simples quanto nas decoradas.
Outros Acessórios a destacar
Outro acessório diferente da época, que não deixa de ser uma
espécie de chapéu era o frame hat. Algumas
vezes também chamado de Ring Hat, ele
nada mais era do que uma espécie de pillbox
sem o tampo, um chapéu aberto. Era uma tira que rodeava a cabeça, sem o tampo,
feita de diferentes materiais e com enfeites variados. Podia ser feito em
telas, feltro, veludo ou cetim. Muitas vezes enfeitadas com flores, laços,
fitas ou pregas de tecidos.
O Frame Hat costumava ser enfeitado com laços, e geralmente era usado com voilette
Como já sabemos o voilette estava presente em muitos dos
chapéus. Mas é interessante observar que mesmo nos anos 40, ele já era usado
sem o chapéu. Muitas vezes com flores, ou mesmo sozinho. Nos anos 50, isso não
deixou de existir. É interessante perceber que, nessa década, usava-se modelos
de cabeça inteira, ou seja: que cobriam toda a cabeça, incluindo o rosto e a
parte de trás. Muitas vezes, chegava à altura do queixo. Boa parte das vezes,
esse modelo era acompanhado de flores. Algumas vezes era usado sozinho, ou com
um chapéu pequeno, ou mesmo com um frame
hat.
Modelos de voilette eram usados cobrindo na cabeça inteira
Além da chapelaria, volta a aparecer a tiara. Tudo por
influência da rainha Elizabeth II, coroada em 1953. Ícone de estilo, a rainha
impulsionou o Lady Like e o “estilo
princesa”, que estava em alta na época. A coroação influenciou a volta do uso
de tiaras em festas, especialmente as feitas com joias, pérolas e brilhantes,
como nos anos 20.
Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn usando tiaras de joias