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terça-feira, 2 de maio de 2017

Dicas para usar o Estilo Vitoriano no dia a dia




O Estilo vitoriano é muito sofisticado e tem muitas fãs. Eu já fiz um post sobre a moda vitoriana aqui no blog (para ler, clique aqui). Ele possui elementos que nos dias de hoje são considerados clássicos. Aquilo que podemos chamar de estilo vitoriano é marcado por elementos como rendas, anáguas, babados, camafeus, chapéus belamente adornados, espartilhos, e também cores escuras, como preto, vinho e azul marinho. É um estilo pesado, e que combina mais com inverno e tempo mais frio. Mas isso não significa que você só possa usar no inverno. 


Além de ser um estilo mais pesado, seria um pouco complicado usar o estilo de forma totalmente fiel no dia a dia. Em primeiro lugar, porque as roupas eram pesadas e desconfortáveis. Não é à toa que as mulheres que precisavam trabalhar protestavam contra a moda da época. Além disso, parecia um pouco estranho, quase como uma fantasia, não é verdade? Isso porque a moda daquela época está muito distante da realidade dos dias de hoje. Então é muito mais difícil de usar de forma literal do que usar o estilo pin up, por exemplo.


Uma forma de facilitar o assunto é falarmos de alguns acessórios chave deste estilo. O camafeu, em colares, broches e bijuterias é um acessório bem curinga. Nos acessórios para a cabeça, podemos pensar em mini chapéus, flores, fascinators de plumas e voilettes. Nas peças de roupas, espartilhos e corsets, camisas com babados e rendas, saia longa, sapatilha, botas de salto. Nos tecidos e texturas, muita renda, tule, bordados, babados, e algum brilho que lembre a seda (poderia ser cetim, por exemplo). O preto é uma cor predominante, influenciada pela moda de luto, assim como o branco também. Azul marinho e vinho também são uma boa opção. Nas estampas, listras e florais. E ainda um acessório: bolsa de mão com estampa floral.

Clique aqui para conferir os camafeus.

Para conferir esses e outros voilettes, clique aqui.

Clique aqui para conferir os fascinators.



Ufa! Agora falamos de alguns ótimos acessórios. Mas como combinar isso?


Confira todas as dicas no video:


 

Uma boa dica é usar a clássica combinação de preto e branco. Você pode, por exemplo, usar uma blusa ou uma camisa de babados com uma calça ampla e um blazer. A calça ampla tem um pouco a ver com o modelo bloomer, usado no fim da era vitoriana por mulheres ciclistas. É claro que as calças dos dias de hoje não são no estilo da bloomer. Mas a ideia é usar o modelo bloomer como referência, e fazer um estilo vitoriano revisitado e mais moderno, mais contemporâneo. E pode usar uma gargantilha ou broche de camafeu, para completar. Nos pés, bota ou sapatilha.


Para uma festa, que tal usar um vestido com decote de ombro a ombro e um fascinator de plumas? Ou uma bela flor? Procure um vestido que tenha aplicações de renda, babados, ou mesmo que seja de renda.

 

Você também pode usar um espartilho ou corset no lugar de uma blusa (ou mesmo por cima de uma camisa), com uma calça ou uma saia. Essa calça pode ser jeans ou de alfaiataria. E complete com uma sapatilha. Quem sabe uma cartola?


A cartola era um acessório masculino, mas hoje em dia as mulheres têm liberdade para usar o acessório que tiverem vontade. Também não é assim tão difícil de combinar. Use roupa neutra e escolha um evento que combine com ela. É um acessório que combina mais com o inverno. 


Os mini chapéus e o voilette podem ser usados com praticamente qualquer look. A única ressalva é que nos dias atuais, talvez um modelo com muitos enfeites fique exagerado, ainda mais levando em conta o resto do seu look. A roupa teria que ser mais neutra. Você pode optar por um modelo de mini chapéu que seja mais simples, com menos enfeites.

Outra ideia para o inverno é usar uma blusa de mangas bufantes com uma calça, que pode ser jeans ou preta, e botas de salto baixo. Complete o visual com um mini chapéu.

 Clique aqui para conferir os mini chapéus e acessórios.


O look mais próximo do vitoriano literal e mais fácil de criar é: uma camisa social, de preferência com babados, e uma saia longa, de um tecido que se pareça com alfaiataria. Você também pode usar uma saia de tamanho midi. Pode ser de uma das cores que eram mais usadas, como por exemplo vinho, preto ou azul marinho. Ou ainda pode ter estampas de listras ou floral romântico. Para completar, um broche de camafeu bem na gola da camisa. Nos pés, sapatilha. Um mini chapéu também ficaria muito bonito.



Brinque com cores! Azul, branco, preto, vinho.... Misture essas cores e alterne as cores das peças. Experimente, brinque, divirta-se! Confira alguns dos acessórios da Madame, para dar uma ajudinha: www.madamevintage.com.br



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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Estilo Vitoriano e a moda de luto




Eu já falei em outro post sobre o estilo vitoriano e a moda da época. Neste post, eu vou falar um pouco mais sobre a moda e os costumes ligados ao luto. Como já falei no outro post, o príncipe Albert morre em 1861, e a Rainha Vitória decide entrar em luto pelo resto de sua vida. E isso influenciou profundamente a moda daquela época.


A etiqueta de luto era algo considerado muito importante, e muito cobrado das mulheres socialmente. As regras de luto representavam os sentimentos de uma família, e se desrespeitadas ou quebradas, isso seria considerado imoral e escandaloso.


Naquela época, a morte era uma coisa muito próxima à realidade das pessoas. A expectativa de vida era muito curta. Nas classes mais altas, era de 44 anos; e na classe trabalhadora não passava dos 22. As pessoas morriam em casa, o que estimulava a criação de rituais na família. Um dos costumes mais mórbidos e estranhos era o de fotografar o falecido junto de sua família. Isso acontecia porque a fotografia ainda era cara, e nem todos conseguiam pagar para tirar fotos da pessoa enquanto ainda estava viva. 

Anúncio de luto no jornal.
 

Existia o luto profundo, também chamado de luto fechado, e o meio-luto. O luto fechado era usado em caso de morte de parentes de primeiro grau e também do marido. Um caso de falecimento do marido, o tempo era de dois anos, e a viúva deveria evitar socializar durante esse período. Nesse caso, as roupas precisavam ser totalmente pretas. Os vestidos de luto profundo eram feitos de seda ou bombazina (um tecido de algodão que se parece com veludo), com punhos de crepe, além de um véu pesado e em cor preta, que cobria o rosto da mulher. O uso de joias era proibido. O período de uso dos punhos de crepe e do véu durava um ano. Nos primeiros seis meses do segundo ano, ela podia usar colarinhos de renda preta e crepe, e um véu curto, que ainda lhe cobria o rosto, feito de tule. Ou podia usar o véu longo sem cobrir o rosto, pois já não era mais obrigada a cobri-lo nesta fase. Nos últimos seis meses do segundo ano, o crepe podia ser removido. Iniciava-se o período de meio-luto, com cores que iam do cinza ao lilás e o branco. A simplicidade severa, sem brilhos, significaria o luto profundo. Nesse caso, também evitava-se babados e frisos, que eram substituídas por dobras lisas. As mulheres eram a as líderes do luto na família, representando socialmente o marido e os filhos, demonstrando sua tristeza pela perda.

Traje de luto fechado.
 
No primeiro ano de luto,
véu comprido sobre o rosto.
 
Nos primeiros seis meses do segundo ano,
a viúva já podia usar um véu curto.

O luto não ficava só nos vestidos. Ele era bem dispendioso: era preciso reencapar livros e bíblias com a cor preta. Lenços, sombrinhas, luvas e qualquer outro acessório de moda tinha de ser preto. E não só isso: os trajes precisavam estar na moda.


Diante de todos estes ritos, é de se esperar que o luto tenha se transformado em mais uma forma de ostentar posição social. Criou-se uma indústria do luto, com toda uma rede de produção e comercialização de artigos para a ocasião, e até mesmo lojas especializadas, que vendiam todo tipo de acessório de luto.

Na imagem, as diferentes fases do luto.
A etiqueta de luto era considerada muito importante e
muito cobrada das mulheres socialmente.
Transformado em uma forma de ostentar posição social.
surge a indústria do luto.
 

No segundo ano do luto fechado, o preto ainda era obrigatório, mas o branco já podia ser usado em punhos e colarinhos. Também era permitido que a viúva se casasse novamente. Era comum que, no segundo dia logo após o casamento, ela voltasse a usar roupas pretas. Após o luto ordinário, as viúvas jovens podiam iniciar a transição para os trajes comuns. Já as viúvas mais velhas seguiam o exemplo da Rainha Vitória e continuavam com o luto ordinário até sua morte.


O luto da Rainha Vitória, levado até o fim de sua vida,
difundiu o uso do véu.
Com o luto da Rainha Vitória, a paranoia com a morte e os ritos de luto ficou ainda maior. Ela entrou em luto profundo e abriu um precedente seguido por muitos de seus súditos britânicos. A rainha era, afinal, um ícone de estilo, que sempre foi copiado e seguido pelas mulheres do Reino Unido. E assim, o preto se torna uma cor mais digna e mais aceita para as mulheres. Elas passam a usar preto mesmo sem estar enlutadas, e a cor se torna sinônimo de elegância. E com isso, alguns elementos da moda do luto, como o véu, e as rendas e adornos na cor preta. Todas as cores acabam por se tornar mais escuras, o que confere à moda da época um ar mais pesado. Não é à toa, que existe um estilo hoje conhecido como vitoriano gótico. Nada mais é do que o vitoriano em tons fúnebres, estilo de muitas mulheres góticas nos dias atuais. Este estilo também sofreu muita influência dos contos de terror góticos, como os vampiros e o Drácula de Bram Stoker, assim como também o Frankenstein de Mary Shelley.

 

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